
Tradicionalmente, os motores síncronos de ímãs permanentes (MSIP) eram construídos com ímãs de ferrite ou samário-cobalto.
Recentemente, materiais com alta densidade de fluxo (maior que 1,0 T) e elevada coercividade (maior que 7000 A/cm), como o Nedímio-ferro-boro, possibilitaram a produção de motores para aplicação industrial. O uso destes ímãs permite a construção de motores com menor risco de desmagnetização e mais compactos, podendo ter uma redução de até 47% em seu volume e 36% em seu peso em relação a um motor de indução com a mesma potência (P&D, 2007).
Os MSIP possuem um enrolamento de estator trifásico similar ao motor síncrono convencional e ímãs permanentes no lugar do enrolamento de campo. As características desses motores dependem basicamente do tipo dos ímãs e de como estes são montados no rotor. O motor de ímãs superficiais (MSIPS) tem os ímãs fixados na superfície do rotor através de um adesivo epóxi e o motor de ímãs interiores (MSIPI) possui os ímãs inseridos no rotor.
As saliências presentes no entreferro do MSIPI, devido à disposição dos ímãs no interior do rotor, fazem com que este motor possua uma elevada razão xq/xd e, consequentemente, desenvolva o torque de relutância. Aproveitando esta parcela de torque através da adequada estratégia de controle aumenta-se a relação torque/corrente do motor, possibilitando o uso de um inversor de frequência de menor potência. Também é possível aproveitar o alto valor da razão xq/xd para acionar o motor na região de redução de campo.
Fixar a componente de corrente isd em zero para que somente a corrente isq seja proporcional ao torque é a maneira mais simples de implementar um controle linear de torque do MSIPI. Entretanto, isto faz com que a parcela de torque de relutância seja desprezada e o sistema de acionamento apresente baixa eficiência. Por outro lado, para que o torque de relutância seja aproveitado pode-se empregar alguma estratégia de controle não linear como, por exemplo, os controladores adaptativos propostos por (Sozer and Torrey, 1998), (Bodson et al., 1993), (Caravani and Gennaro, 1998), (Marino et al., 1995), (Marques et al., 2006), (S. Laghrouche F. et al., 2003) e (Dias et al., 2008). Contudo, o projeto dos reguladores envolvido nestas estratégias é muito complexo e o modelo empregado depende de vários parâmetros do MSIPI.